terça-feira, 8 de setembro de 2009

Entendendo a Arte Japonesa

Gostaria de citar aqui algumas características da Arte Japonesa, a fim de estudarmos a melhor forma de sua apreciação. A Arte Japonesa é, como, talvez, tudo o mais no Japão, eminentemente meditativa, ao passo que a Ocidental é mais dinâmica. Veja-se, por exemplo, a música. Instrumentos como shamissen ou koto, pertencentes à música japonesa clássica, têm uma melodia suave que acalmam o espírito, ao passo que no Ocidente desenvolveram-se ritmos mais acelerados, como o jazz e o rock.


É claro que a origem disso é a própria formação histórico-religiosa do Japão, cujas religiões tradicionais, o budismo e o xintoísmo, inspiram a meditação. Além disso, neste país a Arte sempre esteve ligada à religião, de forma que herdou esta característica meditativa.


Outro ponto interessante da Arte Japonesa é o seu cotidianismo, o qual podemos tomar como exemplo uma ikebana (arranjo floral): o simples fato de se colocar uma flor em um vaso constitui uma expressão artística, bem como de preparar um chá (o famoso chanoyu, a Cerimônia do Chá).


Também a pluralidade é um fato marcante da arte japonesa. Hisayasu Nakagawa, autor de “Introdução à Cultura Japonesa – Ensaio de Antropologia Recíproca”, compara a pintura de Paul Cézanne (1839 - 1906), “A montanha Sainte-Victoire” com uma de Tessai, “O rio e a montanha dos eremitas”:


“A de Cézanne é estruturada em torno de um centro – a montanha – que dá equilíbrio e perspectiva ao conjunto da paisagem. No quadro de Tessai, não se pode falar de um único centro. É, ao contrário, a justaposição de vários lugares, cumes, riachos, bosques, pavilhões e eremitas, que proporciona a estrutura e o relevo da paisagem.”

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